Frente Estadual pelas Liberdades Democráticas é lançada em Vitória

Participam da frente sindicatos, movimentos sociais, organizações políticas, movimentos estudantis, partidos e centrais sindicais. Veja aqui as fotos do evento.

Após o lançamento, no qual foi lido manifesto contrário à censura na educação (leia aqui o documentom na íntegra), ocorreu Rocha frentepalestra sobre o “Os desafios impostos à educação pública”, com Valdemar Sguissardi, docente aposentado da Universidade Federal de São Carlos e da Universidade Metodista (Piracicaba). Ambas as atividades fizeram parte da programação do Dia Nacional de Luta em Defesa da Educação Pública. O evento aconteceu no dia 4/12.

Diversas entidades sindicais e movimentos sociais participaram da atividade realizada no auditório do Centro de Educação Física e Desportos (CEFD). O presidente da Adufes, José Antônio da Rocha Pinto, fez uma fala de saudação e salientou que a iniciativa visa ampliar a unidade de ação. “Esta é uma frente plural que pretende aglutinar todos os grupos, coletivos, fóruns, partidos políticos e movimentos em defesa das liberdades democráticas”, destacou.

Ana CarolinaA professora Ana Carolina Galvão Marsiglia, que também integra o grupo, leu o manifesto da frente contra Escola sem Partido. “A Frente Estadual pelas Liberdades Democráticas manifesta apoio às professoras e aos professores que atuam compromissadamente em nossas escolas, especialmente as públicas, pelo direito à educação democrática”. O documento - que até o dia 7 de dezembro reunia 50 entidades  -, está aberto para colher a assinatura de movimentos que se identifiquem com os princípios da frente.

Conjuntura e os desafios para resistência

Após o lançamento da frente, Valdemar Sguissard, docente aposentado da Universidade Federal de São Carlos e da Universidade Metodista (Piracicaba) fez uma retrospectiva da sua história de formação política, antes do golpe de 1964 e pós-golpe, chegando aos até os dias atuais. Em sua explanação, citou diversos professores, filósofos e jornalistas do Brasil e do mundo que escreveram sobre o assenso da extrema-direita e principais desafios para classe trabalhadora.

Os autores mencionados, enfatizam o agravamento da conjuntura, em especial depois das eleições presidenciais Valdemarque colocaram em foco os ataques do governo eleito à educação pública superior e o funcionalismo público. “Não tenho a fórmula mágica de como devemos reagir ante ao quadro político, mas acredito que o motor fundamental da resistência contra os ataques da extrema direita é a ação unificada. E a criação de uma Frente pelas Liberdades Democráticas é uma das ações que fortalece a luta”, disse, salientando que somente a ação coordenada da classe trabalhadora será capaz responder aos ataques em curso e que se anunciam. 

O crescimento do bolsonarismo, turbinado por uma avalanche de fake news disseminadas pela internet, não chega a surpreender. Trata-se, segundo Valdemar, de tática já antiga desenvolvida pelas agências americanas e britânicas de inteligência, com o intuito de manipular opinião pública e influir em processos políticos e eleições. “As táticas básicas incluem injetar material falso na Internet para destruir a reputação de alvos e manipular o discurso e o ativismo on-line. “O que vimos nessas eleições foi a disseminação do ódio em favor de uma agenda neoliberal, que quer a entrega do pré-sal às multinacionais”, salientou.

Rocha com ValdemarPara ele, é preciso reconstruir uma narrativa com os pobres. “O que me interessa é entender porque razão dezenas de milhões de brasileiros votaram num candidato extremista”, questionou. A maioria desses, frisou Valdemar lendo o trecho de um dos autores, que votam em Bolsonaro não é certamente fascista nem sequer radical. “No passado, elegeram Fernando Henrique Cardoso e Lula. A pergunta que me interessa é a seguinte: como é possível que dezenas de milhões de brasileiros votem num candidato como Bolsonaro?”, finalizou o professor reforçando a necessidade de construção da narrativa com os trabalhadores.

Ao final, o presidente da Adufes José Antônio da Rocha Pinto, agradeceu ao professor Valdemar e a todos os participantes. Informou que o sindicato e a Frente pelas Liberdades Democráticas estão em assembleia permanente. “A qualquer hora podemos ocupar às ruas, unificados e lutando contra as políticas neoliberais”, defendeu.

Fonte: Adufes

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